TEM COPA PRA TODO MUNDO!

Um dos maiores prazeres que se identifica no futebol de várzea é o orgulho das conquístas, as resenhas ganham mais gosto quando o assunto é o triunfo na saudosa Copa Kaiser, quando se narra um lance que definiu o campeão da Copa Arizona (torneio idealizado pela TV Gazeta nos anos 70 e começo de 80), e por ai vai, do torcedor ao presidente a conversa desenrola com facilidade quando se volta no passado para se contar uma história de um time campeão, falar que se sente orgulho em ser campeão soa como clichê, mas é essa discussão que sugerimos para as próximas resenhas, nos tempos atuais qual a dimensão que se dá para uma equipe campeã.

O futebol de várzea é democrático pois possibilita que mesmo um time formado na “Vila” e que não possui condições de brigar de frente com equipes que são formadas e dispõe de muita tradição, possa ser campeão de um Festival e escreva seu nome no Hall dos “Campeões Varzeanos”, essa condição de disputa serve de incentivo e tem muito valor para todos, afinal não existe nada mais preceroso na vida do que vencer, Nelson Mandela certa vez citou “Há vitórias que são importantes apenas para aqueles que as conseguem”, dessa forma podemos descrever um pouco do valor que existe numa conquista na várzea.




A várzea tem passado um momento importante de transformação em todos os setores, no ano de 2019 notamos o surgimento de muitas competições, ao que parece os famosos festivais que reuniam muitas equipes e em apenas um dia já se consegrava um campeão, parece estar entrando em desuso e a alguns anos tem dado lugar ao surgimento de novas Copa’s, isso indica um cenário bastante interessante para alguns e nem tão interessante para outros.

Participar de uma Copa exige investimento e esses investimentos algumas vezes são custeados do bolso dos próprios atletas, em casos de competições que reúnem equipes de maior estrutura, o que se vê são verdadeiros enfrentamentos entre Davi e Golias, de um lado um time empenhado na vitória por conta da amizade e do outro um esquadrão formado por atletas que poderiam até estar em campo por equipes do futebol profissional.

Precisamos dizer, esse texto é reflexivo, não uma crítica, até porque o futebol é conhecido como o esporte mais imprevisivel de todos, quem iria apostar que o Santo André ou o Paulista de Judíai se tornariam campeões de uma competição nacional (Copa do Brasil 2004 e 2005 respectivamente), essas equipes possuem muita tradição, mas a nível de representatividade, dificilmente seriam apostas na lista de possíveis campeões.




Em um universo repleto de chances para todos o que não se pode perder é o respeito pelas agremiações, em casos onde a equipe sabe que dificilmente se tornará campeã, a tendência é que a agremiação venha se desafazer e ali termina uma história, precisamos lembrar à todos que como máquina de fazer dinheiro já temos a mostra o futebol profissional, na várzea a essência é a manutenção do esporte que tira crianças do mundo da violência, que movimenta as regiões no entorno dos campos e traz uma sensação de segurança em locais que poderiam estar abandonados e seriam situações favoráveis a pessoas mal intencionadas.

Aos torcedors, tem Copa para todos e desejamos as agrêmiações que façam grandes disputas respeitando o adversário sempre, aos organizadores, fiquem atentos, a tecnologia está na palma da mão dos torcedores e eles estão atentos à todos os movimentos, um simples deslize pode representar mais que má impressão na organização, pode significar o desinteresse em participar da sua Copa em um momento onde tem Copa para todos!

Roger Marques

Redator do site www.avarzea.com.br e colunista do site www.spfc24horas.com.br

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